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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Do artista ao inútil. Questões de pontos de vistas



Um tempo atrás fui a São Paulo para assistir uma peça baseada em uma das obras de Woody Allen (confesso que sou fã do diretor) a peça chamava Adultérios (mantendo o nome original) e contava a história de um escritor que tem um encontro marcado com sua amante (na ocasião para terminar com ela) em um cais e acaba conhecendo um morador de rua que alega que o ultimo livro do escritor é uma idéia roubada dele. (fiquem tranqüilos que estas informações estão na sinopse da peça). O interessante foi às conclusões tiradas da peça e das coisas que ocorreram até a peça.
Apesar de gostar muito do autor (Woody Allen) tinha meus preconceitos com o elenco da peça, nela participava atores famosos que atuam em novelas, séries e coisas do genero, tal fato gerava um incomodo por não ser ator especializado em teatros. Deste ponto iniciou as lições daquela noite: esteja aberto para aprender com o desconhecido! Muitas vezes guarda agradáveis surpresas, e naquele caso foi o que aconteceu, o tal “atorzinho de novelas” (assim que eu pensava) detonou na peça, foi fantástico do começo ao fim, com certeza coroou mais seu talento com um bom trabalho. Para mim restoram os famosos tapas na cara! E a lição não acabava por ai, por que da mesma forma que profissionais que não estão especificamente vinculados ao um tipo de trabalho (o caso de ator de televisão fazer teatro) pode sair tão bem quanto os específicos, assim também é com seus consumidores.
Imagina só se eu tinha certo “pré-conceito” com os atores de novelas, o que não pensava dos seus consumidores, digo expectadores? Naquela noite quando estava de pé aplaudindo a grandeza da peça, refleti sobre a grandeza de experimentar a troca de informações e conhecimentos entre tribos diferentes, o “NÃO JUGUEIS” nunca fora tão claro e didático para mim.
Mas como as lições da vida naquela noite resolveram fazer um curso intensivo comigo, havia muito mais para aprender.
Como comentei há pouco tempo a história acontecia entre o conflito de um escritor que esta sendo acusado por um morador de rua de ter roubado suas idéias para escrever seu livro e o dilema da separação com a sua amante. E desculpem se eu estou contando pequenos trechos da peça, mas outra lição que tive naquela noite surgiu quando o morador de rua foi abordado pelo escritor, sobre como ele poderia ter roubado a sua idéia. O morador respondeu sem hesitar, que o escritor havia escutado ele conversando com outro morador sobre a sua idéia para um livro.
Refleti sobre o saber, ou melhor, sobre o que classifica uma pessoa como sábia?! Não sei se muitos de vocês já tiveram a surpresa inoportuna de ser abordado por uma pessoa que subitamente seria classificada como louca, e que desembestadamente começou a contar sua história que por fim era extremamente interessante?! Pois bem eu já tive inúmeras experiências como esta, lembro-me que uma vez no trem indo para São Paulo que fiquei prestando atenção na aula de trigonometria que um senhor embriagado, o mais surpreendente é que ele ensinava corretamente.
Mas a questão que me levou refletir no momento da peça é que a vida destas pessoas (que podemos classificar como perdidas) proporcionou para elas histórias, experiências, lições, conhecimentos tão valiosos capazes de torna-se um Best-seller mundial e inegável que muitas vezes classificamos tais como inúteis.
E de repente o fator que difere um cidadão desenquadrado dos padrões sociais e um grande escritor é que um deles não esta na capa do livro publicado. Longe desmerecer os escritores, artistas, compositores, cientistas, trabalhadores entre outros, tais devem receber seus merecimentos todos os dias. O problema é que desmerecemos os ditos inúteis, e Ca entre nós, é um bocado complicado explicar trigonometria!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Do trapo no chão, a expansão do mundo. A conseqüência do desaparecimento


Em um sábado passado recentemente precisei ir para Campinas entregar meu trabalho de conclusão da Pós Graduação (que por sinal foi uma Odisséia alcançar a possibilidade de entregar este trabalho, super trabalhoso). Bem já era um sábado atípico, pela pressa e ansiedade de entregar aquele trabalho (tinha hora limite de fazer a entrega), mas o que de fato me chamou atenção naquele sábado e que me levou a fazer este texto, foi um trapo de roupa que vi no chão.
Bem corri como era necessário para conseguir fazer a entrega do meu trabalho, e após entregar na Faculdade veio à prazerosa sensação de alivio e calmaria. Estava bem, e toda aquela pressa foi embora, na volta de Campinas para Itupeva o que eu mais queria era voltar devagar observando todas as cenas e fatos que eram possíveis.
A faculdade fica perto da Rodoviária de Campinas e para voltar para Itupeva, tenho o costume pegar uma avenida (desculpem não vou lembrar o nome dela) que da acesso a Anhanguera, bem quando estava nesta avenida vi o trapo de roupa no chão, jogado e sozinho. E esta cena remeteu uma curiosidade em mim, Quem será o dono deste trapo? Será que ele ainda esta vivo? Será que as condições que ele vive hoje favorece ou desfavorece a imagem que temos quando vemos um trapo de roupa no chão?
Foi ai que pensei, quantos vestígios de pessoas e fatos imperceptíveis temos a cada dia? Quantas pessoas será que observaram aquele trapo no chão? E o quanto pode ser simples e triste o fim de uma história? Pessoas desaparecem todos os dias e nem percebemos.
O curioso que esta sensação que eu tive contrapõe um fato trágico recente, o Tsunami no Japão, é impossível não se comover com o que ocorreu com eles, toda destruição e dor decorrente a esta tragédia, fora as milhares de pessoas desaparecidas, milhares de histórias que nossos corações e esperanças estão direcionados para que não tenham um final triste, mas pela proporção do acontecimento a conseqüência destes desaparecimentos, fez com que todos voltassem suas mais nobres e melhores energias para que as coisas fiquem bem. Porem e aquele trapo? Qual é a proporção daquele desaparecimento, nenhum!
Fatos nos fazem esquecer de outros fatos, para mim às vezes é difícil de lembrar da tragédia ocorrida também por um Tsunami no Haiti, país que tem muitos menos recursos de recuperação que o Japão, às vezes é difícil de lembrar também as mais de 500 mortes na serra carioca por deslizamento de terra causada pela chuva.
Lembramos daquilo que causa mais conseqüência, daquilo que esta mais em evidencia, daquilo que nos é lembrado. Garanto que a retrospectiva do ano de 2011 não terá apenas momentos felizes, afinal já observamos fatos trágicos.
Mas o que mais me incomodou em tudo isto é ver a fragilidade daquele trapo no chão, afinal não houve notícias sobre ele na televisão, não foi acometido de tragédia ele esta lá ao léu, não vai passar na retrospectiva no final do ano a sua história. E acredito que nem precise mesmo. Mas quantos trapos no chão são deixados pelos seus donos por dia? A vida de muitos acaba e nem percebemos, e se começarmos a contar nos dedos vamos concluir que é digno de passar na restropectiva sim.
Afinal coisas grandiosas acabam com a vida como um Tsunami, mas as coisas pequenas também, como a fome, a miséria e a solidão para os Trapos também nos restam Rezar.

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