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terça-feira, 19 de junho de 2012

Oco



No oco há eco
Por sobra de espaço
Por falta de gente
Pela ausência do abraço

No oco há frio
Não existe o abraço
O calor do corpo
Os sussurros baixinhos

No oco há medo
Pois o escuro impera
Não se explora os espaços
Não base ao que espera

No oco de nós
A ausência agride
A dor persiste
A violência reside

domingo, 3 de junho de 2012

Desculpas ou Justificativas

Dentre tantas coisas incomuns entre os Homens, a necessidade de lidar com os problemas cotidianos é uma delas. Os problemas aparecem, resultados do aprendizado e lições que a vida voluntariamente nos dá.
Estes existem em todas as proporções, pessoais, sociais, institucionais, e por assim vai. Todos problemas são gerados por uma coleção de fatores e a partir destes fatores é que podemos chegar as soluções.
O que diferencia a busca de soluções é a forma como vemos os fatores, alguns buscam justificativas para os problemas ocorridos, refletem sobre eles e buscam formas de resolve-los, independente do tempo que for necessário. Outros mediante aos problemas buscam desculpas para elas, se conformam em ter dada tais desculpas e aceitam definitivamente os problemas.
O pior nisto é que geralmente as pessoas que optam pelas desculpas são as que devem cuidar de nossas cidades, estados e pais. As desculpas não são dadas para os problemas delas e sim para os problemas de todos. E assim suas desculpas acabam trazendo mal para todos nós.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um pedaço de nada já vale um trocado



Seu território são três ruas, há que tem a banca de jornal, há da padaria e a da praça onde faz sua morada.
Grande parte das pessoas parecidas com ele costumam ficar na praça suplicando por “um trocado”, ele por algum motivo pensa diferente, pensa que um pedaço de nada já valia um trocado. Foca seu dia-a-dia em fazer valer sua filosofia de vida, praticava a arte de muitos, catava qualquer “treco” que encontrava na rua, como qualquer pessoa sem orientação ou sem norte aprendeu com seus erros, juntou tanto lixo em seu dormitório reservado na praça que foi obrigado limpar, desabrigar a praça e aguentar algumas pancadas de cacete-te.
Mas foi paciente o suficiente de compreender que a vida ensina, e que não demoraria muito para a policia parar de rondar a praça e que ele e seus amigos poderiam voltar.
Sentou em seu banco favorito e forçou a cabeça suplicando por alguma grande solução, nada vinha! Para ele tudo acabara e que era necessário buscar outra coisa, outro lugar, outras ruas. Planejou para o próximo dia a despedida das três ruas companheiras por um tempo da sua clandestina vida.
Ao amanhecer pois-se à sua marcha fúnebre, com passos lentos foi fazendo a via sacra do cotidiano das pessoas que la viviam, ajudou o Senhor Armando a retirar os produtos das caixas de papelão e recolher os jornais velhos para levar aos seus amigos na praça, passou na padaria pediu o mesmo café preto que o acompanhava em todas as manhas, apanhou o prato com o resto de croissant que uma cliente insistia em deixar, guardou o palito de picolé que era figura constante no prato e partiu em direção da praça.
Sentou no seu banco preferido como uma forma ilustre de despedida, abaixou a cabeça lamentando seu fracasso, lembrou novamente da filosofia que havia traído-o “Qualquer pedaço de nada já vale um trocado”! Respirou fundo e direccionou seus olhos aos jornais para distribuir para os outros que la viviam, quando olhou para o jornal viu a imagem de uma maquete de dirigível e com toda a dificuldade que tinha para levar, conseguiu juntar as palavras, descobriu que tal maquete que era feita de jornais e papelões velhos, levou a mão ao bolso e retirou o palito de picolé este que estava no prato junto ao crossant, sorriu e lembrou da sua filosofa “Um pedaço de nada já vale um trocado” porem pela primeira vez na sua vida ela fazia sentido, a partir de então todos os dias foram dedicados em fazer que o dia-a-dia das pessoas que la viviam levassem a sua filosofia, a ela e a seus artesanatos feitos de palito de picolé.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Adjetivo de Possíveis Realidades

Falo mais com a mente do que com a boca, Quando me calo, tento me calar por dentro. Mas esta voz não cessa, sempre dizendo tudo que pensa. Daquilo que eu vejo, suas censuras, seus prazeres, medos e desejos. E eu me perco nesta vida de teatralizar, controlo seus jogos minhas batalhas, é preciso gerar dos esforços para o resultado vir Mas eu pergunto como eu faço para te calar? você só fala, e nunca quer me escutar

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Adjetivo de Possíveis Realidades

Sinto falta dos cafés e dos barulhos das maquinas da cafeteria Das noites Parisienses, sem ao menos imaginar como são suas noites! Sinto falta do cálice do vinho, dos blazers e dos casacos. Das mulheres de rostos rosados, sinto falta da necessidade da manteiga de cacau na boca. Sinto falta de você, frio!

domingo, 1 de abril de 2012

Adjetivo de Possíveis Realidades

Estou perdido da alfazema da nebulosa desta constante força.
Que me impulsiona para esta infertilidade universal, que nada faz e que nada cria.
Como onda forte que bate com violência e te joga para o fundo. Antes mesmo de fugir ou encara-la é necessário encontrar-se.

domingo, 18 de março de 2012

O que posso fazer com o tempo que o tempo me deu?

Remôo, lembro dos meus defeitos.
Reescrevo as duvidas reedito as dividas e lamento os outros tempos não vividos.
Planejo outros tempos o de segunda-feira até o meu 50º aniversario vejo as impossibilidades dos sonhos de crianças. Articulo as disputas do mercado.
Às vezes bebo outras corro para perder as colorias que ganhei bebendo.
Aprendo lendo, vendo filósofos e receitas na TV. Ouço musica antes de dormir, agradeço a Deus. Abraço meu travesseiro
Às vezes saio com meus amigos e bebo, celebro o desfecho da divida que vou causar, dos outros finais de semanas que vou precisar ficar em casa por isto.
Cobro por ser escritor, compositor, analista de sistema, amigo, amante e filho. Da atenção que preciso ter a todos os instantes.
Olho para o teto do meu quarto, sonho acordado sou quem posso ser naquele instante, viajo para um local distante dentro do corpo deitado.
Às vezes me pego brincando outras cantando, sendo técnico de basquete e futebol, líder de banda outras me pego tentando chorar para aliviar o que nem eu sei ao claro o que é.
Às vezes acho que me falta tempo para novas conquistas para novos estudos para novos lugares e novos amores. Mas depois do que eu vi em um domingo a noite acho que a soma de mais tempo seria apenas para continuar fazendo o que eu faço com o tempo que o tempo me da.

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