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terça-feira, 17 de julho de 2012

O Mal de Adoniram

Em um típico dia preguiçoso de domingo estava eu em casa assistindo o Som Brasil, era uma homenagem a Adoniram Barbosa, um dos maiores ícones (me arrisco a dizer o maior) do samba Paulista. A qualidade do programa por consequencia das composições é indiscutível, mas o que me chamou a atenção foi quando contaram um pouco da história de Adoniram e falaram que apesar dos pesares a miséria e o semi-anonimato foram seus companheiros até o fim. E se foi assim em vida, em morte teve sua total inversão, a fama e o sucesso veio como um prémio póstumo, presunçosamente resolvi chamar isto do “Mal de Adoniram” (que podia ser de tantos outros José´s!!!!). O mal de Adoniram é uma coleção de fatores, primeiro pelo fim inexorável a morte, esta mazela é de Adnoriam a Maria´s não tem jeito! Um dia chega para todos nós! Segundo por ser ele, um de tantos, que vem a ter seu reconhecimento após a morte, a história universal é rica em exemplos assim, talentos que vieram a ser reconhecidos muito tempo depois do que seus artistas esperavam, desta forma os apertos de mãos e as felicitações tem que ser trocadas por flores e lágrimas sobre os túmulos! Os já famosos também sofrem do Mal de Adoniram, pois quando morrem ficam mais famosos ainda! Pego como exemplo os Mamonas Assassinas (lembrança da infância) e do Michael Jackson, que em níveis diferentes eram famosos, mas após suas mortes! Por fim o mal de Adnoriam são as raízes que temos, elas são os que nos seguram, que nos sustenta, mas também são as que não deixam que a caminhada da vida prossiga. A vida de Adoniram o pegou de tal forma que não foi capaz de deixa-la, de transforma-la! E se até as estações mudam, será que não devemos mudar? Esta é uma pergunta que nem eu, nem Adoniram nem as Maria´s sabem responder. O que nos resta é a escolha, destes males que nem sempre é tão mal assim.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Oco



No oco há eco
Por sobra de espaço
Por falta de gente
Pela ausência do abraço

No oco há frio
Não existe o abraço
O calor do corpo
Os sussurros baixinhos

No oco há medo
Pois o escuro impera
Não se explora os espaços
Não base ao que espera

No oco de nós
A ausência agride
A dor persiste
A violência reside

domingo, 3 de junho de 2012

Desculpas ou Justificativas

Dentre tantas coisas incomuns entre os Homens, a necessidade de lidar com os problemas cotidianos é uma delas. Os problemas aparecem, resultados do aprendizado e lições que a vida voluntariamente nos dá.
Estes existem em todas as proporções, pessoais, sociais, institucionais, e por assim vai. Todos problemas são gerados por uma coleção de fatores e a partir destes fatores é que podemos chegar as soluções.
O que diferencia a busca de soluções é a forma como vemos os fatores, alguns buscam justificativas para os problemas ocorridos, refletem sobre eles e buscam formas de resolve-los, independente do tempo que for necessário. Outros mediante aos problemas buscam desculpas para elas, se conformam em ter dada tais desculpas e aceitam definitivamente os problemas.
O pior nisto é que geralmente as pessoas que optam pelas desculpas são as que devem cuidar de nossas cidades, estados e pais. As desculpas não são dadas para os problemas delas e sim para os problemas de todos. E assim suas desculpas acabam trazendo mal para todos nós.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um pedaço de nada já vale um trocado



Seu território são três ruas, há que tem a banca de jornal, há da padaria e a da praça onde faz sua morada.
Grande parte das pessoas parecidas com ele costumam ficar na praça suplicando por “um trocado”, ele por algum motivo pensa diferente, pensa que um pedaço de nada já valia um trocado. Foca seu dia-a-dia em fazer valer sua filosofia de vida, praticava a arte de muitos, catava qualquer “treco” que encontrava na rua, como qualquer pessoa sem orientação ou sem norte aprendeu com seus erros, juntou tanto lixo em seu dormitório reservado na praça que foi obrigado limpar, desabrigar a praça e aguentar algumas pancadas de cacete-te.
Mas foi paciente o suficiente de compreender que a vida ensina, e que não demoraria muito para a policia parar de rondar a praça e que ele e seus amigos poderiam voltar.
Sentou em seu banco favorito e forçou a cabeça suplicando por alguma grande solução, nada vinha! Para ele tudo acabara e que era necessário buscar outra coisa, outro lugar, outras ruas. Planejou para o próximo dia a despedida das três ruas companheiras por um tempo da sua clandestina vida.
Ao amanhecer pois-se à sua marcha fúnebre, com passos lentos foi fazendo a via sacra do cotidiano das pessoas que la viviam, ajudou o Senhor Armando a retirar os produtos das caixas de papelão e recolher os jornais velhos para levar aos seus amigos na praça, passou na padaria pediu o mesmo café preto que o acompanhava em todas as manhas, apanhou o prato com o resto de croissant que uma cliente insistia em deixar, guardou o palito de picolé que era figura constante no prato e partiu em direção da praça.
Sentou no seu banco preferido como uma forma ilustre de despedida, abaixou a cabeça lamentando seu fracasso, lembrou novamente da filosofia que havia traído-o “Qualquer pedaço de nada já vale um trocado”! Respirou fundo e direccionou seus olhos aos jornais para distribuir para os outros que la viviam, quando olhou para o jornal viu a imagem de uma maquete de dirigível e com toda a dificuldade que tinha para levar, conseguiu juntar as palavras, descobriu que tal maquete que era feita de jornais e papelões velhos, levou a mão ao bolso e retirou o palito de picolé este que estava no prato junto ao crossant, sorriu e lembrou da sua filosofa “Um pedaço de nada já vale um trocado” porem pela primeira vez na sua vida ela fazia sentido, a partir de então todos os dias foram dedicados em fazer que o dia-a-dia das pessoas que la viviam levassem a sua filosofia, a ela e a seus artesanatos feitos de palito de picolé.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Adjetivo de Possíveis Realidades

Falo mais com a mente do que com a boca, Quando me calo, tento me calar por dentro. Mas esta voz não cessa, sempre dizendo tudo que pensa. Daquilo que eu vejo, suas censuras, seus prazeres, medos e desejos. E eu me perco nesta vida de teatralizar, controlo seus jogos minhas batalhas, é preciso gerar dos esforços para o resultado vir Mas eu pergunto como eu faço para te calar? você só fala, e nunca quer me escutar

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Adjetivo de Possíveis Realidades

Sinto falta dos cafés e dos barulhos das maquinas da cafeteria Das noites Parisienses, sem ao menos imaginar como são suas noites! Sinto falta do cálice do vinho, dos blazers e dos casacos. Das mulheres de rostos rosados, sinto falta da necessidade da manteiga de cacau na boca. Sinto falta de você, frio!

domingo, 1 de abril de 2012

Adjetivo de Possíveis Realidades

Estou perdido da alfazema da nebulosa desta constante força.
Que me impulsiona para esta infertilidade universal, que nada faz e que nada cria.
Como onda forte que bate com violência e te joga para o fundo. Antes mesmo de fugir ou encara-la é necessário encontrar-se.

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